“Exportações de US$ 15,7 bilhões, 2,8 milhões de empregos e produção recorde de painéis de madeira marcam o desempenho do setor em 2024”

Aspectos econômicos do setor

O setor de árvores plantadas reafirma sua relevância como vetor estratégico de crescimento econômico, inovação e sustentabilidade no Brasil com mais um ano de recordes. O desempenho superior ao PIB nacional, a consolidação como líder global nas exportações de celulose, a expansão da receita e o fortalecimento da balança comercial refletem não apenas sua elevada competitividade internacional, mas também sua sólida estratégia de desenvolvimento sustentável.

A demanda global por produtos de base renovável, somada à expansão da produção nacional e à menor dependência de importações, evidencia o papel fundamental da cadeia de florestas plantadas na transição para uma economia de baixo carbono, fortalecendo o protagonismo do Brasil na agenda da bioeconomia e da sustentabilidade global.

A cadeia produtiva de florestas plantadas apresentou crescimento de 10,4%, valor superior ao crescimento de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

O setor de árvores cultivadas para fins industriais continua a desempenhar um papel fundamental na economia brasileira, sendo um dos pilares da indústria nacional.

Exportações e balança comercial

Exibindo uma elevada competitividade, as exportações da indústria de árvores cultivadas brasileira atingiram a marca recorde de US$ 15,7 bilhões, superando o valor histórico de US$ 14,3 bilhões registrado em 2022, com um crescimento anual composto (CAGR) de 6,3% ao longo do período. O setor foi responsável por 4,7% do total das exportações brasileiras.

Em 2024, 73% das exportações do setor de árvores cultivadas tiveram como destino a China, a América do Norte e a Europa. A China se manteve como principal mercado, absorvendo 31% das exportações, o que corresponde a US$ 4,8 bilhões, um aumento de 20,8% em relação a 2023. A Europa assumiu a segunda posição entre os principais destinos, com exportações totalizando US$ 3,6 bilhões e um expressivo crescimento de 45,3% frente ao ano anterior, ultrapassando a América do Norte, que somou aproximadamente US$ 3 bilhões em 2024, com incremento de 5,2% em comparação a 2023.

Geração de empregos

O setor de árvores plantadas registrou seu maior patamar histórico em geração de empregos e massa salarial em 2024, consolidando o melhor desempenho dos últimos anos. O número de trabalhadores contratados diretamente atingiu 717,9 mil, representando um crescimento de 3,7% em relação a 2023.

Acompanhando o crescimento dos empregos diretos, os postos de trabalho indiretos somaram 2,06 milhões em 2024, elevando o total de empregos gerados pelo setor entre diretos e indiretos a 2,8 milhões. Além disso, quando considerados os efeitos em outras áreas da economia, como vagas criadas no comércio, nos serviços e no transporte em função das atividades do setor, o número de postos de trabalho induzidos chega a 3,86 milhões de pessoas impactadas.

No mesmo período, a massa salarial anual apresentou expansão ainda mais significativa, com aumento de 11%, totalizando R$ 31,3 bilhões.

Produção industrial

A produção industrial baseada em árvores plantadas desempenha papel estratégico para a economia nacional, reunindo tecnologia, sustentabilidade e geração de valor. Com operações distribuídas por todas as regiões do país, o setor conta com uma estrutura industrial robusta, composta por unidades fabris e centros de distribuição, o que evidencia sua relevância e capilaridade no território brasileiro.

Essa distribuição territorial fortalece a competitividade do setor, contribuindo para o desenvolvimento regional, a geração de empregos e o aprimoramento da infraestrutura logística.

Com foco na inovação e em práticas sustentáveis, o setor mantém uma atuação integrada, voltada para o atendimento de mercados diversos e comprometida com a competitividade em âmbito nacional e internacional.

Painéis de madeira

Em 2024, a produção de painéis de madeira alcançou o maior valor da série histórica, com 9,7 milhões de metros cúbicos, registrando um crescimento de 19% em relação a 2023. No mesmo período, as exportações aumentaram 38% e as vendas domésticas, 16%.

Os painéis de MDF, com vendas domésticas de 5,3 milhões de metros cúbicos e um aumento de 20% em relação ao ano anterior, representaram 64% do total comercializado no mercado interno. Já os painéis de MDP totalizaram 2,9 milhões de metros cúbicos em vendas domésticas, correspondendo a 36% do total.

O Brasil subiu uma posição em relação ao Canadá, alcançando a 8ª posição no ranking mundial de produção de painéis de madeira reconstituída, com uma produção de 9,7 milhões de metros cúbicos, retomando a mesma posição de 2022.

Madeira serrada

A produção de madeira serrada em 2024 manteve-se em torno de 8 milhões de m³ nos últimos anos. As exportações também se mantiveram no patamar.

O Brasil alcançou a 9ª posição no ranking mundial dos maiores produtores de madeira serrada. Os Estados Unidos mantêm-se na liderança com 63,5 milhões de m³, seguidos pela Rússia, que ocupa a segunda posição com 34,9 milhões de m³.

Apesar da redução considerável nas exportações de madeira serrada para a América do Norte, essa região continua sendo o principal destino (35,1%). Em segundo lugar, a América Central e o Caribe destacaram-se com um aumento significativo, alcançando 29,8% de representatividade.

Áreas florestais

Ano após ano, o setor brasileiro de árvores cultivadas vem apresentando resultados extraordinários. Em 2024, a área total destinada ao plantio de árvores para fins industriais no país alcançou 10,52 milhões de hectares, um aumento de 2,8% em comparação a 2023. O aumento da área plantada acompanha a inauguração de novas fábricas.

A expansão das áreas de cultivo se dá sobretudo sobre áreas anteriormente degradadas, substituindo pastos de baixa produtividade por plantio de árvores, que capturam carbono da atmosfera e oferecem uma miríade de serviços ecossistêmicos fundamentais para natureza e sociedade, como a proteção da biodiversidade, do solo e dos recursos hídricos.

Os plantios florestais concentram-se nos estados de Minas Gerais (MG), Mato Grosso do Sul (MS), São Paulo (SP), Paraná (PR) e Santa Catarina (SC), todos com áreas superiores a 1 milhão de hectares.

A área total plantada de eucalipto no Brasil atingiu 8,1 milhões de hectares em 2024, sendo essa a principal cultura florestal do país. A região Sudeste lidera, concentrando 43% das plantações — cerca de 3,5 milhões de hectares —, seguida pelo Centro-Oeste, com aproximadamente 22% do total nacional.

Do ponto de vista estadual, Minas Gerais é o maior produtor de eucalipto, com 2,2 milhões de hectares, aproximadamente 27% da área total do país.

O segundo maior estado em área plantada é hoje o Mato Grosso do Sul, com 1,5 milhão de hectares, ou 19% da área total. O estado se destaca como o principal eixo de expansão da silvicultura no Brasil. Dos 234 mil novos hectares do setor em 2024, 80% foram no MS.

Os plantios de pinus no Brasil mantiveram 1,9 milhão de hectares em 2024, com uma leve redução de 2% em relação ao ano anterior, principalmente no estado do Paraná.

Ao contrário do eucalipto, cuja distribuição geográfica é mais ampla, 89% dos plantios de pinus estão concentrados na região Sul do Brasil, o que equivale a aproximadamente 1,69 milhão de hectares. Essa concentração está diretamente relacionada às condições edafoclimáticas ideais para o desenvolvimento da espécie. Fora da região Sul, São Paulo é onde estão os maiores plantios de pinus, com 154,2 mil hectares.

Sustentabilidade

O setor brasileiro de árvores cultivadas é guiado pelos princípios do desenvolvimento sustentável. A indústria mostra na prática que é possível produzir e conservar ao mesmo tempo. É um setor que faz uso inteligente da terra, respeita a natureza e cuida das pessoas.

Em resposta à crescente demanda da sociedade por soluções sustentáveis produzidas de forma responsável, as empresas do setor vêm ampliando seu papel como agentes de desenvolvimento. Além de promoverem a inclusão socioprodutiva a partir da geração de emprego e renda, adotam rigorosos padrões socioambientais, assegurando práticas responsáveis em toda a cadeia de valor.

Paralelamente, investem em pesquisa, inovação e tecnologias de baixo impacto ambiental, impulsionando a competitividade com sustentabilidade. Também direcionam recursos para iniciativas sociais, que contribuem diretamente para a melhoria das condições de vida e o fortalecimento das comunidades onde estão presentes.

Com isso, o setor é também um aliado no enfrentamento ao maior desafio de nossos tempos: as mudanças climáticas. Este capítulo tem por objetivo relatar as contribuições sociais e ambientais do setor de árvores plantadas, evidenciando como esses princípios são colocados em prática.

Certificação florestal

De forma pioneira e voluntária, há mais de duas décadas o setor adota rigorosos selos internacionais que validam seu compromisso com a sustentabilidade, muito além da conformidade legal.

As certificações florestais servem como mecanismo de controle que evidenciam, a partir de auditorias de terceira parte, o comprometimento das empresas com a adoção de boas práticas ambientais, sociais e econômicas no manejo, bem como com a rastreabilidade da madeira que abastece suas fábricas.

As normas regulam desde o plantio até a colheita, levando em consideração a prevenção e mitigação dos potenciais impactos ao meio ambiente, às comunidades vizinhas e à segurança e saúde dos trabalhadores.

No contexto brasileiro, os sistemas mais utilizados são o FSC® (Forest Stewardship Council®) e o PEFC (Programme for the Endorsement of Forest Certification), sendo possível a dupla certificação.

No período de 2020 a 2024, observou-se um avanço expressivo na área total certificada (área produtiva de florestas plantadas e áreas de conservação), que cresceu de 6,8 milhões para 10,7 milhões de hectares, uma expansão de aproximadamente 57%.

Esse crescimento decorreu, principalmente, pelo aumento das áreas com certificação FSC, que passaram de 2,4 milhões para 4,7 milhões de hectares. No último ano, no entanto, o crescimento da área total foi menos expressivo, de apenas 0,2 milhões de hectares, e concentrado nas áreas duplamente certificadas.

Isso foi acompanhado de uma retração nas áreas certificadas apenas pelo FSC ou apenas pelo PEFC, o que sugere uma consolidação do uso de múltiplos selos como estratégia para atender a requisitos diversos de mercados em cadeias de suprimentos globais.

Considerando-se apenas a área plantada certificada, ou seja, apenas a área produtiva, o histórico apresentou um aumento consistente entre 2020 e 2023, passando de 3,7 milhões para 7,8 milhões de hectares, mantendo-se nesse patamar em 2024.

Isso representa uma ampliação de mais de 110% das áreas de plantios florestais certificados no período. A certificação PEFC foi a principal responsável pela expansão, com crescimento de 0,5 milhão de hectares em 2020 para 2,5 milhões em 2024, um aumento de mais de cinco vezes.

A dupla certificação (FSC/PEFC) também apresentou evolução contínua até 2024, alcançando 2,8 milhões de hectares. Já a certificação apenas pelo FSC atingiu 2,6 milhões de hectares em 2023, mas apresentou retração de 13% em 2024.

O Brasil mantém seu destaque global na adoção das certificações, ocupando a 4ª posição em área certificada pelo FSC e a 11ª pelo PEFC, além de figurar entre os 11 primeiros em certificações de Cadeia de Custódia (CoC) no FSC e na 36ª posição na certificação PEFC.

ESG na cadeia de fornecimento

Com práticas estruturadas de seleção, avaliação e engajamento, as empresas do setor buscam construir uma cadeia de suprimentos ética, resiliente e alinhada aos seus valores e padrões de sustentabilidade.

Em 2024, 84% das empresas respondentes da pesquisa Ibá relataram exigir de seus fornecedores o cumprimento de critérios ESG mais robustos do que a simples conformidade legal.

A responsabilidade sobre os impactos indiretos causados ao longo da cadeia produtiva exige uma abordagem cada vez mais preventiva, colaborativa e transparente. As três principais ações junto aos fornecedores para garantir o cumprimento dos critérios ESG foram monitoramentos periódicos da conformidade a partir de análise documental (adotados por todas as empresas respondentes), monitoramentos periódicos da conformidade com inspeções in loco (adotados por 54% das empresas), e, por fim, monitoramento periódico de conformidade baseado em risco (adotado por 50% das empresas).