8outubro
CategoriaMatérias-primas
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Recursos florestais colocam o Brasil no mapa mundial do setor de móveis

Os recursos florestais renováveis, a produção de painéis à base de madeira e a madeira serrada conferem à indústria brasileira uma vantagem competitiva que se inicia muito antes da fábrica

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Recursos florestais colocam o Brasil no mapa mundial do setor de móveis
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Poucos países produtores de móveis combinam, dentro de suas próprias fronteiras, recursos florestais renováveis em grande escala, uma indústria desenvolvida de painéis à base de madeira e a capacidade industrial de transformar essas matérias-primas em produtos tanto para o mercado interno quanto para o de exportação. O Brasil é um deles.

Essa integração – da floresta ao produto manufaturado – representa uma das vantagens estruturais da indústria brasileira e ajuda a explicar sua capacidade de competir em mercados onde a origem da matéria-prima, a escala, o design, a rastreabilidade e a responsabilidade ambiental estão se tornando cada vez mais importantes.

Em 2024, a cadeia de valor das florestas plantadas do Brasil cresceu 10,4%, bem acima do crescimento do PIB do país, que foi de 3,4%. De acordo com o Relatório Anual de 2025 publicado pelo Instituto Brasileiro da Árvore (Ibá), essa expansão foi acompanhada por aumentos na produção, nas exportações e na área dedicada ao cultivo de árvores para fins industriais.

Uma base de recursos de 10,52 milhões de hectares

O Brasil encerrou o ano de 2024 com 10,52 milhões de hectares de florestas plantadas para fins industriais, um aumento de 2,8% em relação ao ano anterior.

De acordo com o Ibá, a expansão recente ocorreu principalmente em terras anteriormente degradadas, substituindo pastagens de baixa produtividade. O Brasil possui mais de 100 milhões de hectares de pastagens com algum grau de degradação e potencial para diferentes usos produtivos e ambientais. 

A distribuição geográfica dessas plantações também facilita sua integração com diferentes cadeias de valor industriais. Elas estão concentradas principalmente nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, cada um com mais de um milhão de hectares

O eucalipto representa a maior parcela, com 8,1 milhões de hectares, enquanto o pinheiro ocupa outros 1,9 milhão de hectares, dos quais 89% estão concentrados no sul do Brasil. Cerca de 500 mil hectares são plantados com outras espécies, incluindo seringueiras, teca, acácia e araucária. 

Produção de painéis à base de madeira atinge nível recorde

Para a indústria moveleira, um dos benefícios mais diretos dessa estrutura pode ser observado na produção de painéis à base de madeira.

Em 2024, o Brasil produziu 9,7 milhões de m³ de painéis à base de madeira, o maior volume da série histórica apresentada pelo Ibá e 19% acima do valor de 2023. As exportações aumentaram 38% no mesmo período, enquanto as vendas no mercado interno cresceram 16%.

 

O MDF representou 64% das vendas no mercado interno, com 5,3 milhões de m³, enquanto o MDP representou os 36% restantes, com 2,9 milhões de m³. 

Com esse desempenho, o Brasil ficou em 8º lugar no ranking mundial de produção de painéis de madeira reconstituída, retomando a posição que ocupava em 2022. A China continua sendo, de longe, a líder global, com uma produção de 108 milhões de m³.

Há um ponto metodológico importante em relação a esse ranking: o dado do Brasil refere-se a 2024, enquanto os dados dos demais países utilizados pelo Ibá baseiam-se em informações da FAO referentes a 2023. 

Além da escala, essa capacidade de produção proporciona à indústria moveleira brasileira um abastecimento interno significativo de MDF e MDP, matérias-primas essenciais para uma parte substancial de sua produção em série de móveis

O Brasil está entre os dez maiores produtores mundiais de madeira serrada

A disponibilidade de madeira serrada acrescenta outra dimensão a essa base industrial.

Considerando apenas a madeira de coníferas — critério adotado pelo Ibá para evitar a influência das florestas nativas na comparação —, a produção brasileira atingiu aproximadamente 7,3 milhões de m³ em 2024. Desse total, cerca de 5,4 milhões de m³ foram destinados ao mercado interno e 1,9 milhão de m³ às exportações.

Nesse contexto, o Brasil ocupa a 9ª posição entre os maiores produtores mundiais de madeira serrada, com os Estados Unidos e a Rússia ocupando as primeiras posições.

Essa distinção é particularmente relevante para os leitores internacionais: o número não representa a produção total de madeira serrada do Brasil, mas sim o segmento de madeira macia considerado na pesquisa. 

A certificação vai além das áreas produtivas

A magnitude dos recursos florestais do Brasil tem sido acompanhada por um crescimento significativo na certificação.

Entre 2020 e 2024, a área total certificada do setor – incluindo tanto florestas plantadas produtivas quanto áreas de conservação – aumentou de 6,8 milhões para 10,7 milhões de hectares, um aumento de aproximadamente 57%.

Considerando apenas as florestas plantadas produtivas, a área certificada atingiu 7,8 milhões de hectares em 2024, mais do que o dobro dos 3,7 milhões de hectares registrados em 2020.

Os principais sistemas de certificação do país são o FSC (Forest Stewardship Council) e o PEFC (Programme for the Endorsement of Forest Certification), com algumas áreas possuindo ambas as certificações.

De acordo com dados apresentados pelo Ibá, com base nos números do FSC e do PEFC, o Brasil ocupa a 4ª posição mundial em área certificada pelo FSC e a 11ª em área certificada pelo PEFC. O país também está entre os 11 primeiros do mundo em certificações da Cadeia de Custódia (CoC) do FSC.

Mais do que uma credencial ambiental, a certificação tornou-se um importante fator comercial para cadeias de suprimentos internacionais que exigem comprovação da origem e rastreabilidade da madeira.

Uma vantagem que começa na floresta

Para compreender a posição do Brasil no mercado internacional de móveis, é necessário, portanto, olhar além do produto acabado.

Muito antes do início da fabricação, existe uma estrutura que ajuda a sustentar a competitividade do setor: 10,52 milhões de hectares de florestas plantadas, produção recorde de painéis à base de madeira, uma posição entre os principais produtores mundiais de madeira macia e 7,8 milhões de hectares de área florestal produtiva certificada.

É uma combinação de escala, disponibilidade de matéria-prima, capacidade industrial e certificação que poucos países conseguem reunir simultaneamente.

Para os compradores internacionais, essa estrutura revela algo importante sobre os móveis brasileiros: o design que chega ao mercado começa muito antes da fábrica. Tudo começa com uma base de recursos florestais capaz de sustentar a produção em escala, ao mesmo tempo em que atende às crescentes exigências de origem, rastreabilidade e responsabilidade ambiental.

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